Em tempos de
modernidade, onde a tecnologia assume o papel de protagonista da vez e que o
livre arbítrio, teoricamente, passaria de fato a existir, vivemos em um mundo
de preconceitos disfarçados de (falsos) moralismos. Não importa o que você
acredite, goste de fazer, ouvir, assistir, etc. Sempre vai haver alguém te
criticando até a alma e fazendo imagens e campanhas em redes sociais contra
alguma coisa que você goste. Até gêneros
literários entraram nessa confusão, por que os seres humanos nunca aceitarão a
ideia de que são diferentes entre si. Nem a opção literária escapa desse
universo de preconceito e desentendimento.
Quando eu era
criança, meu pai me deu uma assinatura de gibis da Turma da Mônica de aniversário,
e mensalmente eu recebia o meu pacote de felicidade com 4 gibis dos personagens
maravilhosos do Maurício de Souza. O amor pela leitura veio muito rápido, e
(graças a Deus por isso) se manteve e se mostrou fiel e eterno. A criança foi
crescendo e nem só de Mônica vivia uma prateleira, os best-sellers foram
tomando seu espaço e ganhando um lugar cativo na cabeceira. Livros considerados
bobos, infantis, de menininha, água com açúcar, etc. A menina virou adulta, os
amores literários aumentaram, nunca deixando de lado os antigos gibis e
best-sellers, porém isso pode ser considerado uma afronta pra uma sociedade
pseudo intelectual do século 21.
Os
Crepúsculos, Harry Potters e demais sucessos repentinos são considerados piada
entre a maioria daqueles que se intitulam cultos. Para essas pessoas, a leitura
não pode ser utilizada também como uma forma de relaxamento ou diversão, se o
texto não te mostrar algo profundo ou intrigante, não estará acrescentando nada
de útil a sua vida. A leitura prazerosa é como a música, o cinema, a arte em
geral. Depende de gosto, de compatibilidade e sensibilidade.
Ontem mesmo,
minha professora de expressão oral comentou em sala de aula que ler pode doer.
Concordo plenamente! Dependendo do texto, pode ser difícil a leitura e
interpretação. Lembro como eu achei difícil ler Goethe pela primeira vez. Me
senti burra e incapaz, como se só tivesse sido feita pra ler “O diário da
princesa” e afins.
Hoje sou fã de Mário Quintana, Pablo Neruda, Fernando
Pessoa, Guimarães Rosa, Herman Hesse, etc. Isso me torna melhor do que alguém?
É mais aceitável me ver comprar um livro bobo por que também costumo ler os
gênios da literatura? Por que alguém que lê Dostoiévski é melhor que alguém que lê Sophie
Kinsella? Não estou aqui desmerecendo os grandes escritores e dizendo que os
populares são melhores, longe de mim. Apenas acredito que a leitura deve ser
respeitada como um todo, e que o amor literário não é monogâmico. Amantes de
Harry Potter também podem amar Umberto Eco, não tem problema nenhum um amante
de Victor Hugo ler um romance barato de banca de revista. O importante é o hábito,
o amor pela leitura e o aprendizado que se pode tirar até mesmo de um bilhete
encontrado no fundo de uma sala de aula vazia.