quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Liberdade Litera e Atura

Em tempos de modernidade, onde a tecnologia assume o papel de protagonista da vez e que o livre arbítrio, teoricamente, passaria de fato a existir, vivemos em um mundo de preconceitos disfarçados de (falsos) moralismos. Não importa o que você acredite, goste de fazer, ouvir, assistir, etc. Sempre vai haver alguém te criticando até a alma e fazendo imagens e campanhas em redes sociais contra alguma coisa que você goste.  Até gêneros literários entraram nessa confusão, por que os seres humanos nunca aceitarão a ideia de que são diferentes entre si. Nem a opção literária escapa desse universo de preconceito e desentendimento.

Quando eu era criança, meu pai me deu uma assinatura de gibis da Turma da Mônica de aniversário, e mensalmente eu recebia o meu pacote de felicidade com 4 gibis dos personagens maravilhosos do Maurício de Souza. O amor pela leitura veio muito rápido, e (graças a Deus por isso) se manteve e se mostrou fiel e eterno. A criança foi crescendo e nem só de Mônica vivia uma prateleira, os best-sellers foram tomando seu espaço e ganhando um lugar cativo na cabeceira. Livros considerados bobos, infantis, de menininha, água com açúcar, etc. A menina virou adulta, os amores literários aumentaram, nunca deixando de lado os antigos gibis e best-sellers, porém isso pode ser considerado uma afronta pra uma sociedade pseudo intelectual do século 21.

Os Crepúsculos, Harry Potters e demais sucessos repentinos são considerados piada entre a maioria daqueles que se intitulam cultos. Para essas pessoas, a leitura não pode ser utilizada também como uma forma de relaxamento ou diversão, se o texto não te mostrar algo profundo ou intrigante, não estará acrescentando nada de útil a sua vida. A leitura prazerosa é como a música, o cinema, a arte em geral. Depende de gosto, de compatibilidade e sensibilidade.

Ontem mesmo, minha professora de expressão oral comentou em sala de aula que ler pode doer. Concordo plenamente! Dependendo do texto, pode ser difícil a leitura e interpretação. Lembro como eu achei difícil ler Goethe pela primeira vez. Me senti burra e incapaz, como se só tivesse sido feita pra ler “O diário da princesa” e afins. 

Hoje sou fã de Mário Quintana, Pablo Neruda, Fernando Pessoa, Guimarães Rosa, Herman Hesse, etc. Isso me torna melhor do que alguém? É mais aceitável me ver comprar um livro bobo por que também costumo ler os gênios da literatura? Por que alguém que lê Dostoiévski é melhor que alguém que lê Sophie Kinsella? Não estou aqui desmerecendo os grandes escritores e dizendo que os populares são melhores, longe de mim. Apenas acredito que a leitura deve ser respeitada como um todo, e que o amor literário não é monogâmico. Amantes de Harry Potter também podem amar Umberto Eco, não tem problema nenhum um amante de Victor Hugo ler um romance barato de banca de revista. O importante é o hábito, o amor pela leitura e o aprendizado que se pode tirar até mesmo de um bilhete encontrado no fundo de uma sala de aula vazia.

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